Ramificações
Catálogo da exposição
(...) Voltando à natureza, se existe aí nesses trabalhos uma conexão mais imediata com ela, é pela própria ideia de “ramificações” que vai no título do conjunto: Shiiti deixa a mão correr sem se dar conta previamente do que virá, deixa os traços irem criando ramificações no papel que eu e você podemos percorrer como quisermos, ou como necessitamos, porque, na verdade, assim como as plantas buscam crescer, a gente quer, a gente precisa de saber mais. A gente se ramifica no que vê, ao mesmo tempo em que, por nos espalharmos como plantas na terra, encontramos nossas próprias memórias, nossas raízes, estranhamente apresentadas pelo outro, pelo desenhista que nos ensina sobre quem somos, o que podemos descobrir de nós mesmos em seus traços, nossas memórias e nosso futuro (ramificar-se é estender-se pra diante, afinal). Não é à toa, talvez, que a única palavra que eu identifiquei na escrita embolada de Shiiti foi “tempo”, matéria e forma de plantas e pessoas. Sim, eu, você e Shiiti descobrimos o tempo por aqui, sabemos cada vez mais.
Marta Neves




















